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Em menos de uma semana, pai e filha morrem com Covid-19 em MG

O vendedor ambulante Paulo Roberto Dias Câmpara, de 75 anos, e sua filha, Samira Diniz Câmpara, 40, morreram em Belo Horizonte em menos de uma semana, devido a complicações da Covid-19

20/06/2020 19h59
Por: Expresso Notícia Fonte: BHAZ
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O vendedor ambulante Paulo Roberto Dias Câmpara, de 75 anos, e sua filha, Samira Diniz Câmpara, 40, morreram em Belo Horizonte em menos de uma semana, devido a complicações da Covid-19. Em meio à dor das perdas, a família também precisa lidar com a preocupação de ter mais uma parente internada por coronavírus e suspeitas de falhas no atendimento médico.

O martírio começou no dia 3 de junho, quando Paulo Roberto deu entrada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Odilon Behrens, na região Noroeste da cidade. Fumante e com problemas respiratórios, o vendedor foi testado para coronavírus, mas, segundo a família, o resultado deu negativo.

“Meu sogro fumava um maço de cigarro por dia. Ele deu entrada com esse quadro na UPA do Odilon. Fizeram o teste [para Covid-19] e deu negativo. Lá tinha enfermeiro sem equipamento, sem toda aquela segurança. Minha esposa e minha cunhada foram dormir com ele. Foi quando minha cunhada contraiu a doença”, conta ao BHAZ Ítalo de Jesus, genro de Paulo.

No dia 5 de junho, o quadro de saúde de Paulo Roberto piorou e ele deu entrada no CTI do mesmo Odilon Behrens, quando foi feito um novo teste para o novo coronavírus. Desta vez, o resultado deu positivo. Menos de dez dias depois, no último sábado (13), o vendedor acabou morrendo.

Esposa e filha no hospital

Enquanto Paulo Roberto ainda estava internado no CTI, a esposa e uma das filhas dele começaram a enfrentar os males da doença que assola o mundo. Samira começou a passar mal no dia 8 de junho e procurou, imediatamente, atendimento no bairro Santa Cruz, na região Nordeste de Belo Horizonte. A mãe dela – e esposa de Paulo Roberto – também apresentava alguns sintomas e foi junto à unidade de saúde.

“Ela foi até o posto de saúde, mas, chegando lá, foi tratada como se fosse dengue. Não quiseram medicar e falaram que era dengue”, conta Ítalo, cunhado de Samira. “Mas ela teve uma piora e ela voltou ao posto no dia 10. Eles constataram que a saturação tava baixa e mandaram ela direto para UPA do bairro São Paulo. De lá, foi transferida junto com minha sogra para o hospital Eduardo de Menezes de ambulância”, conta.

Samira foi atendida na unidade, referência no atendimento de pacientes com coronavírus na capital mineira, já em estado grave. Ela e a mãe estavam com coronavírus. Samira não resistiu e faleceu nessa quarta-feira (17). “Ela deixou um menino de 11 anos. Ela era querida no bairro onde morava por ser uma cabeleireira e esteticista muito boa. Estamos muito tristes”, desabafa o parente.

Discriminação e boatos

Ítalo de Jesus conta que agora, a família está preocupada com os cuidados com a sogra Silveira Maria Candida Diniz, de 68 anos – mãe de Samira e esposa de Paulo Roberto. “Ela foi internada junto com a Samira, mas está bem e o quadro dela não é grave, graças a Deus. Ela não está nem entubada”, explicou.

Além do sofrimento, eles também enfrentam o preconceito. “Estão espalhando boatos, fazendo brincadeiras de mau gosto. Falando que estamos com o vírus. Mas nosso teste deu negativo para Covid-19. Já não bastasse a dor de perder gente da gente”, lamenta.

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